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(1º de setembro de 2023)
✠ BARTOLOMEU
PELA MISERICÓRDIADE DEUS
ARCEBISPO DE CONSTANTINOPLA-NOVA ROMA
E PATRIARCA ECUMÊNICO
ÀPLENITUDEDA IGREJA
GRAÇA, PAZ EMISERICÓRDIADO ARTÍFICE DE TODA ACRIAÇÃO,
NOSSOSENHOR, DEUSE SALVADOR JESUS CRISTO.
Reverendíssimos irmãos Hierarcas e filhos amados no Senhor,
Com a graça do Senhor e Aperfeiçoador da nossa fé, entramos hoje num novo ano eclesiástico e celebramos com salmos e hinos, pela trigésima quinta vez, o Dia da proteção do meio ambiente natural.
Regozijamo-nos com as repercussões das iniciativas ecológicas do Patriarcado Ecumênico não só no mundo cristão, mas também nas outras religiões, nos parlamentos e entre os políticos, no campo da sociedade civil, da ciência, dos movimentos ecológicos e da juventude. Afinal de contas, a crise ecológica, enquanto desafio global, só pode ser abordada através da sensibilização e mobilização internacional.
Expressamos ainda a nossa satisfação pelo fato de as pessoas terem compreendido definitivamente a ligação imediata entre as questões ecológicas e sociais e, especialmente, o fato de a destruição do ambiente natural afetar principalmente os pobres entre nós. A combinação de atividades ecológicas e sociais constitui a esperança para o nosso futuro porque só poderemos ter desenvolvimento e progresso sustentáveis quando estivermos simultaneamente preocupados com a integridade da criação e com a proteção da dignidade humana e dos direitos humanos.
É característico que hoje haja uma ênfase na «expansão ecológica» dos direitos humanos. Na verdade, as pessoas falam de uma «quarta geração» de direitos – juntamente com os direitos individuais e políticos, sociais, culturais e de solidariedade – que se referem à garantia das suas pré-condições ambientais. A luta pelos direitos humanos não pode ignorar o fato de estes direitos estarem ameaçados pelas alterações climáticas, pela escassez de água potável, de solos férteis e de ar puro, mas também pela «degradação ambiental» em geral. As consequências da crise ecológica devem ser enfrentadas sobretudo ao nível dos direitos humanos. É evidente que estes direitos, em todos os seus aspectos e dimensões, constituem uma unidade indivisa e que a sua proteção é inseparável.
É neste contexto que devemos também incluir e apreciar os terríveis efeitos criados pela invasão da Rússia na Ucrânia, que está associada a uma terrível devastação ecológica. Cada ato de guerra é também uma guerra contra a criação, na medida em que constitui uma grave ameaça contra o ambiente natural. A poluição da atmosfera, da água e da terra por bombardeamentos, o risco de holocausto nuclear, a emissão de radiações perigosas de centrais nucleares que produzem energia eléctrica, a poeira cancerígena da explosão de edifícios, a destruição de florestas e o esgotamento de propriedades agrícolas aráveis – tudo isto estas testemunham o fato de que as pessoas e o ecossistema da Ucrânia sofreram e continuam a sofrer perdas incalculáveis. Repetimos enfaticamente: a guerra deveria cessar imediatamente e o diálogo sincero deveria começar.
Perante todos estes desafios, a Santa e Grande Igreja de Cristo continua a sua luta pela integridade da criação, com pleno conhecimento de que a sua preocupação com o ambiente natural não é apenas uma atividade a mais em sua vida, mas a sua expressão e realização essencial como uma extensão da sua vida. a Sagrada Eucaristia em todas as formas e dimensões do nosso bom testemunho no mundo. Este foi também o precioso legado do pioneiro da teologia ecológica, o falecido Metropolita João de Pérgamo. Reconhecendo a sua imensa contribuição, concluímos esta Mensagem Patriarcal por ocasião da Festa da Indicção com o que escreve sobre a Sagrada Eucaristia como resposta holística aos problemas ecológicos atuais:
«Na Divina Liturgia, o mundo natural e material, junto com todos os sentidos, participam de uma unidade inseparável. Não há antítese entre o sujeito e a realidade objetiva, não há postura de conquista do mundo circundante pela mente humana. Este mundo não existe contra, não é objeto do homem, mas é assumido e comungado. A Sagrada Comunhão não é apenas a nossa união com Deus e com os outros, mas também a assunção do alimento, a aceitação e apreciação do ambiente natural, a incorporação e não apenas o consumo da matéria. A sacralidade que acompanha tal atitude, o estremecimento divino que permeia tal relação, é o diametral oposto da Tecnologia e a resposta ao nosso problema ecológico. A Sagrada Eucaristia é, também por esta razão, o melhor que a Ortodoxia tem para oferecer ao mundo contemporâneo».
Desejamos um abençoado ano eclesiástico, irmãos e filhos no Senhor!
1º de setembro de 2023
† Bartolomeu de Constantinopla
Fervoroso suplicante por todos diante de Deus